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Vitta/nº1 - Jejum intermitente e mais sobre saúde e vida

Segunda-feira, 09 de Julho de 2018 às 07:02 por (jrr.ocorreio@gmail.com)

nº1 - produto OCorreio Digital

Fazer jejum intermitente não é novidade. Na verdade, o hábito é tradição de algumas religiões como o islamismo, que prega o Ramadã, mês durante o qual os fiéis não podem se alimentar durante o dia. Mas o jejum tem ganhado cada vez mais adeptos. Afinal, a atual dieta da moda promete a manutenção da juventude por mais tempo. Além, claro, do emagrecimento.

São diferentes modelos. Um dos mais comuns é o de 5:2. Ou seja, passar cinco dias comendo o que tiver vontade e dois se submetendo a uma dieta hipocalórica. Outro modelo: passar parte do dia sem comer, e parte do dia comendo. A alimentação ocorre durante 8 horas, e as horas restantes são restritas ao jejum. Com periodicidade, o organismo também começa a usar gordura como fonte de energia. 

Um argumento usado pelos defensores do jejum intermitente é a promoção de controle de peso. Até a visão evolutiva entra na discussão. Nossos ancestrais eram acostumados a uma dieta que alternava entre dias de fartura e dias de uma alimentação restrita, conforme o sucesso ou o fracasso na caça.

Cabe destacar: fazer jejum redeuz as taxas metabólicas porque o corpo entende que deve conservar energia. Portanto, se o objetivo é queimar calorias, fazer jejum não faria sentido.

Um dos estudos mais contundentes sobre o assunto foi conduzido por uma das maiores defensoras do jejum intermitente, a pesquisadora Krista Varady da Universidade de Illinois, Chicago. Autora do livro The Every-Other-Day-Diet (A dieta do dia sim, dia não), ela reconhece que a dieta funciona principalmente porque as pessoas parecem aderir com mais facilidade do que às outras.

Por outro lado, o jejum intermitente não serveria apenas para emagrecer, segundo seus adeptos. A dieta também teria benefícios a longo prazo para a saúde, como manutenção da capacidade cognitiva e até prevenção de doenças como câncer. Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology apontaram que 24 horas de jejum já são o suficiente para estimular a capacidade das células de se regenerar. Outro estudo feito por pesquisadores da Universidade de Manchester indicou que o jejum - ou dietas com restrições energética - podem ajudar a prevenir câncer relacionados à obesidade (de mama, por exemplo).

Apesar de divergências sobre o tema, um consenso entre os estudiosos: não existe dieta milagrosa. Se o assunto é perda de peso, equilíbrio é fundamental. Assim, o mais aconselhável é comer moderadamente na maior parte do tempo e nada por um longo período de vez.

Um estudo feito pela Universidade de São Paulo e apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Endocrinologia mostrou que dietas de jejum intermitente, especialmente a do tipo 5:2, podem aumentar o risco de diabetes tipo 2. No estudo feito com ratos, eles tiveram as células do pâncreas responsáveis pela liberação de insulina danificadas, além de se tornarem mais resistência ao hormônio.

As evidências quanto à eficácia e segurança das dietas tendem a apontar para a necessidade de cuidado. Sim, cada caso é um caso. Mas o ideal é considerar um especialista antes de adotar o método.

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Está disponível no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a sexta edição do Painel de Precificação de Planos de Saúde, com dados de 2017. A publicação, anual, apresenta um panorama da formação inicial dos preços dos planos de assistência à saúde em comercialização no mercado brasileiro, além de monitorar a evolução dos preços e analisar os reajustes por mudança de faixa etária e demais componentes, como o custo médio de consultas médicas, exames, internações, atendimentos ambulatoriais e terapias.

O painel é organizado a partir dos dados fornecidos pelas operadoras de planos de saúde, que informam o preço inicial dos produtos com os valores iniciais de formação de preço. Segundo a diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da Agência, Simone Freire, o instrumento ajuda a compreender o setor de saúde suplementar no Brasil.

“O Painel de Precificação é um instrumento importante para compreender o setor, já que possibilita ao mercado visualizar fatores como os custos desse produto, média de utilização e variação média de reajuste. A ferramenta não visa acompanhar os valores cobrados pelas operadoras de planos de saúde, uma vez que a ANS não define preço de produto, mas permite entender a formação de custo desse setor”, explicou Simone Freire.

A agência destaca que os preços efetivamente praticados ao consumidor devem estar dentro do limite de 30% acima ou abaixo do Valor Comercial da Mensalidade informado à ANS. Também não podem estar abaixo dos custos assistenciais, incluindo uma margem de segurança, para evitar a prática de preços predatórios com o objetivo de eliminar concorrentes em determinado mercado.

Análise

A análise deste ano apresenta os valores da sétima faixa de segmentação, que vai dos 44 aos 48 anos, e um total de 640 operadoras de todos os estados, incluindo tanto a modalidade Coletiva (empresarial e por adesão) quanto a contratação Individual ou Familiar. O valor comercial médio entre todas as Unidades da Federação é de R$ 808,27 no caso de planos individuais e de R$ 559,71 para os planos coletivos, com diferença percentual entre as duas de 43,8%.

O estado de São Paulo apresentou o menor valor comercial médio para a faixa, tanto para planos individuais, com R$ 507,12, quanto para os coletivos, que teve valor médio de R$ 452,77. São Paulo também teve a menor diferença entre os valores dos dois tipos, de 12%.

Tocantins apresentou o maior valor comercial médio de planos individuais, com R$ 1.036,62, e Mato Grosso do Sul o maior para os planos coletivos, com R$ 595,82. A maior diferença entre as duas modalidades foi encontrada em Roraima, com 77,7%.

Custo

Quanto ao preço de custo das assistências prestadas pelos planos de saúde individuais para a faixa etária de 44 a 48 anos, as consultas médicas ficaram na média em R$ 69,70, com frequência de utilização anual (uso do plano pelo beneficiário por ano) de 6,27; demais despesas assistenciais ficaram em R$ 85,79 e frequência de utilização anual de 9; exames complementares custaram R$ 30,34, com uso anual de 19,84; internações custam R$ 5.048,72, com média de uso anual de 0,21; outros atendimentos ambulatoriais saem por R$ 100,56, com frequência de utilização anual de 1,14; e as terapias têm custo médio de R$ 76,57 e uso médio de 1,98 por ano.

Nos planos coletivos, as consultas médicas ficaram na média R$ 72,01, com frequência de utilização anual de 5,74; demais despesas assistenciais ficaram em R$ 78,87 e frequência de utilização anual de 3,95; exames complementares custaram R$ 33,78, com uso anual de 16,87; internações custam R$ 4.905,70, com média de uso anual de 0,22; outros atendimentos ambulatoriais saem por R$ 107,23, com frequência de utilização anual de 1,35; e as terapias têm custo médio de R$ 70,52 e uso médio de 2,10 por ano.

De janeiro de 2013 a dezembro de 2017, a evolução do custo médio dos atendimentos para a faixa etária dos 44 aos 48 anos, sem diferenciar o tipo de contratação, foi de 49,67% nas consultas médicas, de 54,73% nos exames complementares, de 88,14% nas terapias, de 61,27% nas internações. Outros atendimentos ambulatoriais tiveram aumento do custo médio de 22,24%. Já o custo nas demais despesas assistenciais houve decréscimo de 20,08% no período.

As despesas não assistenciais que são adicionadas na composição do preço, como administrativas, comerciais e margem de lucro, chamadas de carregamentos, ficaram com uma média de 35,25%. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) foi procurado pela Agência Brasil para comentar os dados da ANS, mas informou que ainda não foi possível fazer a análise das tabelas.

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A prescrição de medicamentos genéricos no país aumentou 65% de 2015 a 2018. Mais barata, essa versão de remédios foi prescrita em 34% das 115 milhões de receitas médicas emitidas entre fevereiro do ano passado e fevereiro deste ano.

Os dados foram apresentados na sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), durante a divulgação do balanço de 18 anos do primeiro registro de medicamento genérico do Brasil. Segundo o presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, essa classe farmacológica representa um ramo impulsionador da economia, além de ampliar o acesso da população à saúde, provocando relevante impacto social. "A política de genéricos do Brasil foi extremamente efetiva, do ponto de vista de aumentar o acesso e também de criar uma indústria farmacêutica nacional importante. Relatório que lançamos sobre o mercado no âmbito brasileiro, das dez maiores empresas farmacêuticas do país, apenas uma era de capital nacional. Hoje, a gente tem cinco das dez", afirmou Barbosa, destacando o crescimento de escalas produtivas em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Goiás.

Embora reconheça que o Brasil demorou a iniciar sua produção de genéricos, ainda que a medida estivesse prevista em lei, Barbosa disse que o país tem recuperado os impactos dessa delonga e vem avançando. "Apesar de a gente ter entrado relativamente tarde, quando a gente soma genéricos com similares [genéricos que estão vinculados a uma marca], estamos nos aproximando dos percentuais históricos de países que entraram antes na política de genéricos, como os Estados Unidos e os da Europa."

De acordo com o presidente da Anvisa, os genéricos corresponderam a mais de 70% das 4,3 bilhões unidades farmacológicas produzidas no ano passado. Atualmente, a gama de medicamentos genéricos disponível no mercado é bastante ampla, sendo constituída por 6.300 produtos, fabricados por 120 laboratórios diferentes. De 2014 para 2017, o número de novas drogas genéricas registradas na Anvisa saltou de 146 para 336, um incremento de 130,1%.

Nesse período, a Anvisa recebeu 1.830 pedidos de registro, dos quais liberou 1.229 para venda. Além disso, em 2016 e 2017, ao analisar os padrões de qualidade de fármacos que já estão sendo comercializados, mediante o chamado teste de biodisponibilidade ou bioequivalência, a agência concluiu que 85,9% da amostragem cumpria as exigências sanitárias. 

A partir de 1º de setembro, a fila de registros deve correr mais rapidamente, com uma simplificação do procedimento. "Quando a empresa protocola um pedido de registro, ela não vai mais ficar um ano até [o pedido] ser analisado. Começará a ser analisado imediatamente. O tempo de análise vai ser o tempo real, que dura em torno de seis meses, dependendo do grau de completude de informações que a empresa prestou no dossiê", explicou Barbosa. Ele disse que, do ano passado para cá, a Anvisa já conseguiu julgar quase todos os 780 requerimentos recebidos, deixando pendentes cerca de 30.

Pacientes aceitam; médicos desconfiam

Durante o evento, o presidente da Anvisa destacou que, apesar de ser amplamente aprovado pelos consumidores, o medicamento genérico ainda é rejeitado pelos profissionais de saúde, e disse que esse preconceito precisa ser vencido. "Em escolas de medicina, ensina-se pouco a ler evidência científica, a saber diferenciar as coisas. Se se perguntar a um médico como é feito o critério de validação de um genérico, acho que a maioria não vai sequer saber responder, infelizmente. Mas a população, por outro lado, sabe que o genérico, efetivamente, é equivalente ao produto de referência – tanto que todas as pesquisas de opinião demonstram isso, assim como os dados de venda", afirmou Barbosa.

Ele ressaltou que, em média, os genéricos têm preços 35% mais baixos do que os remédios de referência.

Segundo a presidente executiva da Associação Brasileira de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), Telma Salles, embora haja genéricos para 90% das patologias, pacientes que têm determinadas doenças, como câncer, ainda precisam recorrer ao medicamento de referência. "Para o câncer, a gente ainda precisa. Tem os biossimilares que ainda estão chegando ao Brasil, em começo de registro na Anvisa, e vamos ter também medicamentos de mais complexidade, para ajudar na cura dessas doenças. Mas podemos dizer que, para as doenças que mais acometem a população, esses produtos [genéricos] estão disponíveis. Pode-se não encontrar certa molécula, mas pode-se encontrar outra, que substitua aquela e ajude tanto quanto", afirmou.

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Pelo menos três estados brasileiros têm surtos confirmados de sarampo este ano. Amazonas e Roraima, juntos, contabilizam cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação. No outro extremo do país, o Rio Grande do Sul também confirmou seis casos da doença este ano. Já o Rio de Janeiro investiga quatro casos – um deles com resultado preliminar positivo pra sarampo. 

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus. A doença, entretanto, voltou a ser motivo de preocupação entre autoridades sanitárias em razão das baixas coberturas vacinais identificadas no país e por ser altamente contagiosa.

Em junho, países do Mercosul fizeram um acordo para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas na região das Américas, incluindo o sarampo. Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile se comprometeram a reforçar ações de saúde nas fronteiras e a fornecer assistência aos migrantes numa tentativa de manter baixa a transmissão de casos. 

A doença

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, grave, transmissível e extremamente contagiosa. Complicações infecciosas contribuem para a gravidade do sarampo, particularmente em crianças desnutridas e menores de um 1 ano.

A doença é de distribuição universal e apresenta variação sazonal. Nos climas temperados, observa-se o aumento da incidência no período compreendido entre o final do inverno e o início da primavera. Nos climas tropicais, caso do Brasil, a transmissão parece aumentar depois da estação chuvosa. 

O comportamento endêmico do sarampo varia de um local para outro e depende basicamente da relação entre o grau de imunidade e a suscetibilidade da população, além da circulação do vírus na área.

Sintomas

Os sintomas do sarampo incluem febre alta acima de 38,5°C; erupções na pele; tosse; coriza; conjuntivite; e manchas brancas que aparecem na mucosa bucal, conhecidas como sinais de Koplik e que antecedem de um a dois dias antes do aparecimento da erupção cutânea.

Diagnóstico

O diagnóstico laboratorial é realizado mediante detecção de anticorpos IgM no sangue na fase aguda da doença, desde os primeiros dias até quatro semanas após o aparecimento da erupção cutânea.

Transmissão

Ocorre de forma direta, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Por isso, a elevada contagiosidade da doença.

A transmissão acontece de quatro a seis dias antes e até quatro dias após o aparecimento do exantema. O período de maior transmissibilidade ocorre dois dias antes e dois dias após o início da erupção cutânea. 

O sarampo afeta igualmente ambos os sexos. A incidência, a evolução clínica e a letalidade são influenciadas pelas condições socioeconômicas, nutricionais, imunitárias e àquelas que favorecem a aglomeração em lugares públicos e em pequenas residências.

Prevenção

A vacinação contra o sarampo é a única maneira de prevenir a doença. O esquema vacinal vigente é de uma dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda dose da vacina tetra viral aos 15 meses.

Pessoas com suspeita de sarampo, gestantes, crianças com menos de 6 meses e imunocomprometidos não devem receber a dose. A gestante deve esperar para ser vacinada após o parto. 

Caso esteja planejando engravidar, a mulher deve se proteger contra a doença. Um exame de sangue pode dizer se ela já está imune ao sarampo. Se não estiver, ela deve ser vacinada antes da gestação e aguardar pelo menos quatro semanas para engravidar.

Tratamento

Não existe tratamento específico para o sarampo. É recomendável a administração da vitamina A em crianças acometidas pela doença, para reduzir a ocorrência de casos graves e fatais. O tratamento profilático com antibiótico é contraindicado.

Para os casos sem complicação, a orientação é manter a hidratação, o suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Muitas crianças precisam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional que apresentavam antes da doença. Complicações como diarreia, pneumonia e otite média devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

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Coluna - Denise Caspani - (51) 3722-6351 / (51) 9-9919-0915 

Essa não é uma conversa existencialista ou espiritualista. Tampouco estou falando de biologia. Refiro-me à evolução, ou não, do estilo de vida, que traz consigo inúmeras acepções do que chamamos de vida.

Em nutrição (humana, animal ou vegetal), somos dependentes de substâncias que permitirão a criação da vida, o crescimento e o desenvolvimento da espécie, bem como a sua reprodução. Mas não queremos ter apenas uma existência biológica. Queremos ser felizes. Queremos sentir prazer. Prazer no amor a nós mesmos, prazer no amor ao próximo, prazer ao desenvolver com eficiência uma tarefa, e por aí vai.

Nossa existência vai além das questões físicas e se torna plena com a subjetividade dos nossos anseios, nossos medos, nossas realizações. Somos seres complexos por natureza. Dessa forma também se coloca a nossa alimentação. Não se encerra com uma oferta de nutrientes cuja função será deixar nosso corpo em ordem. A nossa alimentação está intimamente ligada às questões sociais, culturais e emocionais e psicológicas.

A história da alimentação ocorre paralelamente à história do homem. Ao surgir no planeta, o homem comia o que estava disponível na natureza: frutos, raízes e folhas. Mais tarde iniciou-se a prática da pesca e da caça, consumindo também animais selvagens.

Os homens primitivos evoluíram de caçadores e coletores, sem moradias fixas (nômades) para agricultores, e depois surgiu a pecuária como outra forma de obtenção de alimento. Essa evolução proporcionou novos sabores e odores, novas experiências alimentares. A alimentação humana tornou-se mais variada e mais sofisticada ao longo dos tempos. Entretanto, observamos que hoje adquirimos um estilo de vida nem sempre saudável.

O mundo atual, tecnológico, competitivo e com necessidade cada vez maior de produtividade, ao mesmo tempo que nos oferece uma grande variedade de produtos alimentícios, com cheiro, cor e gosto que convencem, rouba-nos o tempo de conversarmos em volta da mesa da cozinha enquanto preparamos o alimento saboroso e verdadeiro de cada dia. E aquilo que, nos tempos da vovó, estava dentro dos alimentos, hoje é retirado dele, no processo de “beneficiamento” dos alimentos, para depois ser vendido como suplemento em casas especializadas. Cito aqui o arroz e o trigo como exemplos. E o que se vê hoje: comemos e bebemos em saquinhos, sachês, latinhas ou caixas tetra pak. Para não falar nas cápsulas! Produzimos uma quantidade extraordinária e absurda de lixo, consumindo grande quantidade de alimentos embalados, com alto teor de açúcar, sal, gorduras e aditivos químicos. No contra ponto, cada vez mais surgem pessoas aderindo a modismos, invencionismos, loucurismos para obter um corpinho que alguém disse ser o melhor! Na hora que dá errado, ninguém divulga! Na hora que a coisa parou de funcionar e vem as consequências, muitas vezes desastrosas e perigosas, ninguém abre a boca. Daí a gente ouve cochichos.

O fato é que já faz algum tempo que se fala, especialmente entre os adeptos da alimentação saudável, sobre o resgate das práticas alimentares mais antigas e mais seguras para a nossa saúde.

Falamos do equilíbrio entre a praticidade e o conforto que a modernidade nos proporciona e as práticas que venham garantir a oferta dos nutrientes necessários à manutenção da nossa vida, e o deleite em preparar e saborear comida de verdade. 

Denise Carvalho Caspani / Nutricionista – CRN 1781

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Os planos de saúde brasileiros realizaram 1,51 bilhão de procedimentos médicos e odontológicos em 2017. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o número é 3,4% maior do que o registrado em 2016, quando foram realizados 1,46 bilhão procedimentos, como consultas, atendimentos ambulatoriais, exames, terapias e internações.

A maior parte dos procedimentos é formada por exames complementares, que somaram 816,9 milhões em 2017, de acordo com a ANS.

Apenas as consultas médicas tiveram queda em relação a 2016 (-1%), os demais procedimentos tiveram alta: outros atendimentos ambulatoriais (11,3%), exames complementares (2,5%), terapias (10,6%), internações (2,6%) e procedimentos odontológicos (5,2%).

Os planos de saúde brasileiros tiveram que ressarcir o Sistema Único de Saúde (SUS) em R$ 358 milhões no primeiro semestre do ano. O valor, arrecadado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é a agência reguladora das operadoras de planos de saúde, é repassado ao Fundo Nacional de Saúde.

O valor representa 61,07% do total repassado ao longo de todo o ano passado (R$ 585,4 milhões), quando foi registrado um recorde no montante do ressarcimento, de acordo com a ANS. Desde 2018, as operadoras já tiveram que ressarcir R$ 2,18 bilhões ao SUS.

O ressarcimento ao Sistema Único de Saúde, estabelecido pela Lei 9.656 de 1998, é uma obrigação das operadoras de restituir despesas com os beneficiários do SUS que estejam cobertos pelos respectivos planos.

De acordo com a ANS, a identificação de atendimentos de beneficiários de planos de saúde é obtida pela agência após um cruzamento de dados das operadoras e informações registradas no SUS por Autorização de Internação Hospitalar (AIH) e Autorização de Procedimento Ambulatorial (APAC). O resultado do cruzamento é enviado para as operadoras, que podem acatar a cobrança ou contestá-la.

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Doenças já erradicadas no Brasil voltaram a ser motivo de preocupação entre autoridades sanitárias e profissionais de saúde. Baixas coberturas vacinais, de acordo com o próprio Ministério da Saúde, acendem "uma luz vermelha" no país. No Amazonas e em Roraima, com o surto de sarampo, há cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação. No outro extremo do país, o Rio Grande do Sul também confirmou seis casos da doença este ano. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus.

Em junho, países do Mercosul fizeram um acordo para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas na região das Américas, incluindo o sarampo, a poliomielite e a rubéola. Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile se comprometeram a reforçar ações de saúde nas fronteiras e a fornecer assistência aos migrantes numa tentativa de manter baixa a transmissão de casos. No último dia 8, a Opas enviou alerta aos países após a detecção de um caso da doença na Venezuela. Dados do governo federal mostram que 312 municípios brasileiros estão com cobertura vacinal contra pólio abaixo de 50%.

O grupo de doenças pode voltar a circular no Brasil caso a cobertura vacinal, sobretudo entre crianças, não aumente. O alerta é da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), que defende uma taxa de imunização de 95% do público-alvo. A presidente da entidade, Isabella Ballalai, explica que uma série de fatores compromete o sucesso da imunização no país, incluindo a falta de conhecimento sobre  de doenças consideradas erradicadas, a divulgação de fake news via redes sociais e os horários limitados de funcionamento de postos de saúde.

Vitta: Quais os desafios da vacinação no Brasil atualmente? 

Isabella Ballalai: Estamos falando de doenças como sarampo, pólio, difteria e tétano. São vacinas básicas, mas que, muitas vezes, as pessoas acabam negligenciando. Não vacinam, atrasam, dizem “depois eu vou”. Juntamos isso com a não valorização dessas doenças, consideradas extintas e que, portanto, não se vê por aí. Juntamos também o dia a dia mesmo. Os postos de saúde no Brasil, em sua maioria, abrem de segunda a sexta e fecham para almoço. As famílias estão trabalhando. Isso tudo impacta na adesão.

Vitta: Houve muita procura por vacina após os casos de febre amarela detectados no Brasil. Como isso se encaixa nesse contexto? 

Isabella Ballalai: Com febre a amarela, a gente viveu uma situação diferente. Minas Gerais sempre foi área de vacinação rotineira – antes mesmo dessa epidemia. É preciso reforçar que não foi surto, foi uma epidemia. E, se as pessoas não se vacinarem, em dezembro agora, começa tudo de novo. Tínhamos baixa cobertura. As crianças até estavam vacinadas, mas os adultos não estavam. Aí, surge o desafio de fazer o adulto entender que ele também precisa tomar vacina. Por que não conseguimos vacinar todo mundo? Em época de epidemia, temos corre-corre, fila, discussão. De repente, com o fim dos casos, sumiu todo mundo. Sendo que pelo menos metade da população ficou sem se vacinar.

Vitta: Como resumir os desafios da vacinação no Brasil? 

Isabella Ballalai: A dificuldade de imunização no país é multifatorial – depende do tipo de vacina, da faixa etária em questão. Entre 20% a 30% dos adolescentes, por exemplo, se vacinaram contra a meningite. Só. As pessoas não imaginam a dificuldade que é levar um adolescente a uma sala de vacinação. No geral, o que a gente percebe é que, quando o povo tem medo da doença, procura a vacina. Brasileiro não tem medo da vacina, tem medo da doença. E só procura a vacina quando tem surto na televisão. Um exemplo foi a epidemia de gripe em 2016. Tínhamos filas de seis horas em clínicas privadas. A meta de vacinação ficou acima do necessário, passou de 100%. O que aconteceu com aquele mito de que as pessoas não se vacinam porque têm medo de pegar gripe? As pessoas tiveram medo da doença, viram a doença, acreditaram na doença.

Vitta: Por que é tão difícil tratar da prevenção de doenças? 

Isabella Ballalai: Já perdi as contas de quantas vezes vi pais de família que vacinam seus filhos e não se vacinam. Prevenção é uma coisa complicada. No tempo em que usar cinto de segurança não era obrigatório, a pessoa só usava quando perdia alguém em um acidente de trânsito. É mais ou menos isso que acontece com as vacinas. E olha que é prevista a obrigatoriedade da imunização no Estatuto da Criança e do Adolescente. É direito da criança e do adolescente a vacina. Os pais são provedores, não podem negar esse direito. Mas é complexo. Temos um cenário de grande evasão escolar no Brasil. A escola, por exemplo, não vai impedir uma criança de estudar porque não está com as vacinas em dia. Pode denunciar no conselho tutelar, mas impedir não vai. É um cenário bem diferente da realidade norte-americana. Os Estados Unidos não têm problema de evasão escolar e proíbem a criança de frequentar a escola se não estiver com as vacinas em dia.

Vitta: Outros países também enfrentam dificuldades na imunização. Há similaridades com o cenário no Brasil? 

Isabella Ballalai: Europa e América do Norte têm problemas graves de cobertura vacinal. São taxas que ficam em torno de 30% a 40% do público-alvo. Um problemão. Quando a gente fala de baixa cobertura vacinal no Brasil, é algo em torno de 70% a 80%. Parece bom quando comparado à realidade de outros países. Mas, para manter as doenças erradicadas, a gente precisa atingir nossas metas. E, especificamente entre menores de 1 ou 2 anos, a meta é 95% de cobertura vacinal. Funciona assim: tivemos, recentemente, casos de sarampo em Porto Alegre. Uma jovem não vacinada pegou a doença em Manaus. Se ela, mesmo não vacinada, tivesse ido a Manaus e encontrado crianças vacinadas, não teríamos o surto que tivemos no Sul. É o que chamamos de proteção coletiva. Cobertura vacinal é sinônimo de ação coletiva. E as pessoas estão cada vez mais individualizadas para se engajar numa ação coletiva.

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TAG: Vitta, Saúde, qualidade de vida
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