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Pedras na Rua Moron: asfaltar ou preservar nossa história?

Domingo, 15 de Abril de 2018 às 21:26 por (jrr.ocorreio@gmail.com)
Rampa virou motivo de impasse após posição de conselho / Foto: Cristina da Gama Mór

A posição contrária do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cachoeira do Sul sobre o possível asfaltamento de um trecho da Rua Moron às margens do Rio Jacuí repercute na comunidade cachoeirense. A mudança seria para melhorar a trafegabilidade de veículos por ocasião da instalação de um cais para ser utilizado pela barca que realizará a travessia durante interrupção do trânsito na Ponte do Fandango no período de obras.

A reportagem do OCorreio Digital pesquisou sobre a importâcia histórica do trecho que motiva o anúncio da entidade contra a obra na Moron. Segundo a carta assinada pela professora Miriam Ritzel, as pedras existentes no local fazem parte da história de Cachoeira. Se for colocado asfalto, a população não conheceria parte desta história.

Estudos feitos pela professora indicam que as grandes e irregulares pedras estão no local desde o início da década de 1850, quando Fidêncio Pereira Fortes empreitou a obra de construção da rampa de embarque e desembarque do porto da Vila Nova de São João da Cachoeira.

Registros sugerem relevância histórica do trecho / Foto: Reprodução

O Rio Jacuí permitia a navegação de embarcações de até 58 toneladas já no início da década de 1840, quando Antonio Kussmann e Nicolau Faller começaram a navegação comercial entre Rio Pardo e Cachoeira. Mas faltava um porto organizado, com uma rampa que garantisse comodidade ao trânsito no embarque e desembarque.

Em outubro de 1852, a Câmara de Cachoeira solicitou ao engenheiro Frederico Heydtmann uma planta e orçamento da rampa que chegou à cifra de 9:524$200 réis, considerada vultosa. Em janeiro de 1853, Fidêncio Pereira Fortes conseguiu arrematar a obra por 3:169$200 réis a menos. Como era praxe naquela época, apresentou como fiador Antônio Pereira Fortes e teve que aguardar que a presidência da Província aprovasse a arrematação, o que se deu em 4 de maio de 1853.

Dentre as cláusulas do contrato de arrematação, estava prevista a entrega da obra para vistoria em dois anos, não sem antes comunicar, com a antecedência de dois meses, a conclusão de cada uma das etapas, como construção de alicerces, desaterro e empedramento, para que fossem examinadas por comissão designada pelas autoridades. O pagamento do valor contratado seria feito em três parcelas, sendo a mais alta, no valor de 3:177$500, no ato da portaria de arrematação, e as outras duas, no valor de 1:588$750 cada, quando a obra estivesse na metade e, por último, na conclusão. 

Rampa pode ser asfaltada, segundo proposta feita pela Prefeitura / Foto: Cristina da Gama Mór

O início das obras apresentou uma dificuldade imprevista ao arrematante. Um grande banco de pedra vermelha encontrado no local causou sobrecarga de trabalho para escavação, obrigando Fidêncio a solicitar indenização e apresentar orçamento suplementar. Aprovado o aumento no valor, o arrematante precisou solicitar adição no tempo de entrega em mais um ano.

Fidêncio Pereira Fortes entregou a primeira parte da rampa e calçada do porto em 1º de dezembro de 1856, não deixando de alertar que deveriam ser tocadas as obras de construção dos paredões, calçada e empedramento até o banco de pedra vermelha. Em 7 de abril de 1857, a Câmara abriu concorrência para o restante das obras, sendo vencedor José Ferreira Neves, tendo como fiador Antônio Vicente da Fontoura.

A solicitação da Prefeitura ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes é para asfaltamento da Rua Moron até a Rua Conde de Porto Alegre.

TAG: Cachoeira do Sul, Rio Jacuí, Ponte do Fandango
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