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O Artesanato Gaúcho

Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018 às 07:00 por (programaalmapampa@gmail.com)

“A palavra arte pode assumir várias significações na linguagem. Falando-se de transformação de matéria bruta pelo homem, ela pode representar uma forma de produção quando se desenvolve na procura do útil; ou uma forma de expressão se desenvolve na procura do belo.”

Através da rica obra de João Carlos Paixão Côrtes – Gaúcho: Danças Traje Artesanato, que será base para este texto, introduzimos o assunto em destaque: Artesanato Gaúcho.

O Artesanato Gaúcho se desenvolveu através dos tempos para suprir distintas necessidades. Tomando formas, enriqueceu as paisagens do Sul, adentrou as casas, foi ferramenta, utensílio doméstico, passatempo… e arte!

Ao falar em produção manual dos rio-grandenses (que herdaram costumes de tantos outros povos), é importante fazer algumas diferenças de interpretação do que de fato é considerado trabalho manual, e consequentemente Artesanato:

“A primeira distinção deve ser feita com o molde, que é forma e padrão, que significa regularidade. Com molde se produzem objetos iguais ou cópias sem originalidade alguma. Não se deve confundir regularidade com uniformidade. Embora padronizada, cada peça feita à mão é única, não se confunde com nenhuma outra, nem da mesma espécie, ainda que tenha sido elaborada no mesmo dia pela mesma pessoa. ” (J.C. Paixão Côrtes)

O estilo de cada artesão empresta a sua marca pessoal a cada objeto, possuindo a sua própria originalidade, o que pode distinguir padrões regionais de feitio de trabalhos semelhantes, como por exemplo, Bombachas. Antigamente cada região possuía um “estilo”, e isso vinha a tornar-se também como uma moda local.

Mas, falando propriamente dito do que o nosso povo sulista produziu de artesanato, podemos citar como principais matérias-primas: fibras vegetais, madeira, porongo, vime, chifre, osso, lã, crina, metais… Além de trabalhos únicos como rendas de bilro, porcelana, cerâmica, ornatos em bombachas, flores artificias.

Artesanato com fibras vegetais - Com inúmeros tipos de fibras vegetais diferentes, como trigo, tiririca, butiazeiro, milho, cipó, taquara, algodão e embira, é confeccionada aqui no Estado uma dezena de produtos diferentes. Com um processo de certa forma demorado, é necessário cortar, secar, destalar, trançar e dar acabamento para então dar início à série de produção de Chapéus, Trilhos e Esteiras, Porta-Cuias, Cortinas, Utensílios para mesa e costura, Bolsas, Decoração de Interiores, Flores e por aí vai…

Cuias - De todos os recipientes variados onde o campeiro ceva o seu chimarrão, foi o porongo que ganhou maior destaque entre nossa gente. O porongo, após a colheita, precisa de um tratamento especial, incluindo raspagem da peça, o que poderá definir qual a sua coloração, conforme o tempo que foi raspado (se logo após a colheita, fica em tons mais claros). Merece destaque especial o enriquecimento artesanal das cuias, que poderiam receber adornos de prata e ouro tanto no bocal e na bomba, ou, então, através de entalhes no próprio porongo, trazendo motivos regionais, naturalistas… O trabalho também pode ser feito através de pirografia, onde nos tempos antigos acontecia por meio de um ferro em brasa, gravando assim os motivos de importância para o artesão.

Vime - A região da Serra Gaúcha foi a que mais trabalhou e deu vida as peças de vime. Desde simples peças como cestos e cadeiras, hoje podem ser encontradas ricas e sofisticadas peças.

Chifre - Nos primórdios da vida dos gaúchos, o Chifre foi uma das peças de mais comum utilização nos campos do sul. Também conhecida como Guampa ou então Aspa, deu origem a copos, canecos, mamadeiras para terneiros guaxos, pentes, peinetas para coque, passadores para cabelo, dedal, colher, garfo, anéis femininos, fivelas para guaiacas, cabo de chaira…

Osso - Assim como o chifre, porém em menor escala, o osso foi utilizado para diversos utensílios úteis para o dia-a-dia. Como decoração, eram feitas boleadeiras, e para o dia-a-dia, bombas para arreios ou estribos, cabos de relhos, passadores, fivelas…

Bombachas - A bombacha tradicional requer muita mão-de-obra, especialmente quando possui pregas e enfeites distintos. Os favos são verdadeiras relíquias do nosso estado. Para ter ideia, até mesmo concursos existiam antigamente, sendo o primeiro organizado por Paixão Côrtes em 1957. O favo, também chamado de Mondonguinho, Fofo, Pregueado, Buchinho, Casa ou Ninho de Abelha, tomou inúmeras formas diferentes, onde se estendem sempre na parte externa da bombacha, na lateral da perna. Os nomes eram dados de forma que lembravam algo, como por exemplo o Favo ou Ninho de Abelha, remete ao desenho de uma colmeia. Também poderiam possuir como decoração esses favos, botões e moedas.

Trabalhos em couro - Segundo E. P. Coelho (s/d) ao “ artesanato de uso campeiro , na base de couro cru, dá-se o nome, de modo geral, de trabalho em ‘corda’. Guasqueiro é o apelido pelo qual é conhecido o homem do campo que se dedica a esse tipo de artesanato. São vários os ‘ pertences’ de uso campeiro, confeccionados com couro cru. Destacam-se, entre outros, as ‘cordas’ trançadas (rédeas, laços, cabrestos, ...), feitos de couro cavalar... São, também, utilizados o couro de cabra (chibo) para tranças delicadas e a pele de enguia (muçum) para revestimento de pequenos objetos”.

O couro serve como material de trabalho, tanto para o Guasqueiro como para o Seleiro.

O Guasqueiro confecciona: laços, manilhas, rédeas, cabeçadas, buçais, arreadores, rebenques, etc...

O seleiro confecciona: caronas, cinchas, lombilhos, selas, serigotes, bastos, badanas, arreiame para animal de tiro e até botas, surrões, rabichos e peiteiras.

O couro é aproveitado, igualmente, para tramas (assento de cadeiras, lastro de camas rústicas), para o retovo de cuias, baú, ... O homem rural, geralmente, aproveita o couro para fins utilitários.

O nosso município é rico em ARTESÃOS, cito dois de meu convívio mais intimo (pelos laços de amizade, e conhecimento mais profundo de seus trabalhos), porém como disse há diversos com trabalhos maravilhosos, que além de manterem a Tradição Gaúcha ainda contribuem com o desenvolvimento econômico e social de nossa terra.

BEATRIZ PEREIRA SALDANHA (BIA ARTE E PINTURA)

Como diz Bia ... O couro também é usado para confecção de Galardões (faixas) para Prendas e Crachás para Peões e outros ligados diretamente ao tradicionalismo, como por exemplo: Passa Lenços, Mateiras, Maletinhas para Prendas, Capas para Relatórios de Concursos Tradicionalistas, Capas para Agenda, Quadros Personalizados (com Pintura a Mão ou Piro grafados), Lembrancinhas e Presentes Personalizados. Este é o trabalho da Bia Saldanha Bia Arte e Pintura – Artesã em coura a mais de 40 anos, Tradicionalista e micro empresária Individual – MEI. Tendo como Lema: “Vivo da Arte, O Artesanato é minha Tradição, Pinto Esperança e Pirografo Sonhos”.

 

ROBSON KIEFER - GUASQUEIRO

Segundo Robson Kiefer Guasqueiro- é a arte gaúcha do couro no apero crioulo,Uruguai, Argentinachama-se “soguero”,onde hoje se encontram os melhores “sogueros” do mundo,no RS temos muitos guasqueiros ótimos mas ainda se destacam os Argentinos, dentre os melhores do mundo esta Dom Martin Gomez  falecido em 2017aos 99 anos ,sua obra conhecida em mais de 8 países.A necessidade da utilização de cordas em animais de serviços  para a lida de campo  faz com que se torne uma profissão comum,porem sendo quase extinta em meados dos anos 90. Hoje com o crescimento de festas campeiras ,rodeios e competições  surge uma nova geração de guasqueiro, com isso também renasce o resgate  de peças e trabalhos  luxuosos formando verdadeiras obras de arte.A grande maioria dos artesãos se se encontram na cidade devido o grande numero de apreciadores do cavalo,Utilizados também por moradores urbanos peças como mateira porta cuia pulseiras,passadores de lenço,porta retratos,etc.. Faz com que se mantenha viva a profissão de guasqueiro.Robson Kiefer começo a trabalhar com artesanais a 6 anos quando fui morar em Artigas-UY ,no começo era apenas para trabalhos próprios ou regalar amigos,os pedidos foram aumentando e assim começou a fazer obras para fora,uma das primeiras obras foi uma faca enviada para Brasília-DF bainha e cabo trançados com aproximadamente 60 tentos,é um passa tempo que nos enche de prazer e orgulho.Pós-graduado em Administração de empresas e apaixonado pela cultura gaúcha surge o interesse em estudar as tranças eas cordas gaúchas,através do conhecimento pratico. Neste tempo adquiriu em torno de 200 livros sobre a arte gaúcha em couro cru, e hoje também ministra cursos de “guasqueiro” quando solicitado. Dentre trabalhos estão Bainhas de Facas, Rédeas, Cabeçadas e Cintos.

 

EU APÓIO A MÚSICA GAÚCHA:

 

AGENDA GAÚCHA:

OUTUBRO

12 SAB CAPACITAÇÃO E RECICLAGEM DE JUIZES DE PROVAS CAMPEIRAS –

1º ENCONTRO DE JUÍZES DE PROVA DE GINETEADA MTG PORTO ALEGRE

 12 SEX XVII ACAMPAMENTO ESTADUAL DA JUVENTUDE GAÚCHA MTG CANOAS

13 SAB XXVIII TCHENCONTRO ESTADUAL DA JUVENTUDE GAÚCHA MTG CANOAS

13 e 14 SAB e DOM FEGADAN/FEGACHULA MTG CANOAS

20 e 21 SAB e DOM 3ª INTER-REGIONAL ENART MTG + 24ª RT LAJEADO

27 SAB 52º ANIVERSÁRIO DO MTG / ORCAV MTG + 27ª RT GRAMADO

NOVEMBRO

01/Novembro – OS SERRANOS – CTG TROPEIROS DA LEALDADE

1 QUI SORTEIO DA ORDEM DE APRESENTAÇÃO DA FINAL DO ENART 2018 MTG PORTO ALEGRE

10 e 11 SAB e DOM 27º ABERTO DE ESPORTES - 3º ENECAMP MTG + 9 ª RT TUPANCIRETÃ

10 SAB REUNIÃO DO CONSELHO DIRETOR MTG PORTO ALEGRE

14/Novembro/2018 – OS BERTUSSI – CTG TROPEIROS DA LEALDADE

16 a 18 SEX a DOM FINAL ENART 2018 –

 ENCONTRO DE ARTE E TRADIÇÃO GAÚCHA MTG + 5ª RT SANTA CRUZ DO SUL

-30º FEGAES (Festival Gaúcho Estadual Estudantil) ocorrerá de 23,24 e 25 de Novembro 2018.

 

 

Sintonize de segundas a sábados na MIX 94.7 CACHOEIRAFM – ALMA PAMPA

Segundas das 17h às 19h e de Terça a Sábado das 18h às 20h

Por: Marcos Silva – programaalmapampa@gmail.com

TAG: alma pampa, marcos silva
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