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Afinal, crédito consignado é adubo ou veneno?

Terça-feira, 10 de Abril de 2018 às 10:49 por (telmopadilha@gmail.com)

Em dois anos passados a dúvida se enraizou na vida de dona Marilda: aposentar ou não?

Afinal, desde os 12 anos trabalhando dona Marilda completou 65 de vida, 53 de trabalho e de contribuições para a previdência. Hora do descanso ao corpo para ficar mais tempo com filhos e netos. Um lenitivo para a solidão, já que o companheiro se foi ainda muito jovem.

Pois, o agradável e curto convívio com a família se tornou o principal argumento para iniciar o processo de aposentadoria. Um processo que, para dona Marilda, 65 anos e uma paciência já finita, foi uma verdadeira epopeia.

Papel pra cá, papel pra lá. Comprovante disso, daquilo e daquilo outro. Até as impressões digitais já enrugadas precisou apresentar. Logo dona Marilda, com suas marcas desde a infância calejada, sofrida e outras mais, quem sabe na alma!

Finalmente a confirmação chegou e foi comemorada. Marilda está aposentada pelo INSS. São R$ 954,00 mensais. Avisou ao casal de filhos que estava pronta para ficar em casa. Cuidar das crianças e ajudar nas despesas com um recurso extra e garantido. O que já fazia antes, mas agora, com mais segurança e certeza. Foi uma festa e uma notícia bem recebida.

Isso durou um ano. Veio a crise econômica! Desemprego! Recessão! Problemas! A coisa apertou, a situação ficou muito complicada. A inflação sumiu e o dinheiro também. Uma filha perdeu o emprego e não conseguiu outro. A renda da casa caiu!

Dona Marilda fez o primeiro empréstimo consignado. Um aporte de R$ 10.217,00. Única maneira de colocar em dia contas que não podiam esperar mais sob risco de colapsar o convívio de todos. Veio também o primeiro desconto das 72 prestações de R$ 286,00. A aposentadoria, que era de R$ 954,00, caiu para R$ 668,00.

Não resolveu. Dona Marilda fez um novo consignado dentro do limite máximo. Entraram mais R$ 1.200,00 e um novo desconto de R$ 46,85 em 72 vezes.

Durante seis meses, mesmo apertados a vida sobreviveu com o adubo do consignado.

A dúvida que preocupa: nos próximos cinco anos e meio com os descontos, essa aposentaria será corrigida pelo reajuste anual, mas o desconto continuará igual. 

Não será mais o adubo que fertiliza, mas veneno que sufoca e mata. Pior, o aposentado passa a valer mais morto do que vivo. A herança para cônjuge e filhos será integral sem descontos: ou seja R$ 954,00!

Fica a esperança de que dona Marilda e sua família superem essa fase e possam recuperar suas contas com união e harmonia. 

TAG: telmo padilha
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